Atenção para a infecção pelo Neospora caninum

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Há tempos, venho observando em meu atendimento na região rural de Teresópolis, o aumento de casos de cães jovens e adultos com sintomatologia neurológica. Sabemos que a doença mais comum com sintomas neurológicos é a cinomose, causada por um Morbilivirus. A cinomose ocorre em animais não vacinados, ou vacinados com vacinas não éticas ou ainda naqueles imunológicamente comprometidos.

Outra doença com sintomas neurológicos é a raiva,  que todos sabem que é terrível e não tem cura, daí a obrigatoriedade da vacinação anti-rábica anual por lei (a vacinação de cães e gatos contra a raiva é obrigatória no Estado do Rio de Janeiro, conforme estabelecido pela Lei Estadual N° 4.808 de 04 de julho de 2006).

Alterações na deambulação e mesmo convulsões podem ocorrer na infecção por Erlichia canis e outros hemoparasitss transmitidos por carrapatos. Intoxicações como o botulismo e envenenamentos por produtos químicos também mostram este quadro.

Ainda podemos pensar em toxoplasmose, uma vez que cães que ingerem carne crua ou outros alimentos contaminados ou mesmo a água contendo oocistos, podem adquirir a doença, com seus sintomas característicos de atrofia muscular, uveítes, alterações no comportamento e outras perturbações neurológicas.

Todas as possibilidades acima podem ser ratificadas com exames laboratoriais relativamente acessíveis, como testes sorológicos (ELISA, PCR), ou verificação direta através de esfregaços sanguíneos ou de material aspirado dos gânglios linfáticos. No caso da raiva, a partir do envio para laboratórios credenciados de material congelado do hipocampo, tronco cerebral, cerebelo e medula oblonga. Nos caso da toxoplasmose, podendo também ser na cinomose, vamos mensurar os anticorpos (IgM e IgG).

Mas, tem surgido outra doença, por enquanto diagnosticada mais clinicamente que laboratorialmente, frente sua dificuldade, que é a Neosposose canina, causada pelo Neospora caninum. Trata-se de um protozoário que age de forma muito semelhante ao Toxoplasma gondii.

Os cães são hospedeiros definitivos de N caninum e eliminam  oocistos nas fezes depois de comerem tecidos de animais infectados. Lobos cinzentos, coiotes, cães selvagens e também são hospedeiros definitivos, assim como outros canídeos selvagens. Bovinos que ingerem os oocistos se seu alimento estiver contaminado também se infectam, mas o principal sintoma é o abortamento. A transmissão horizontal se dá pela ingestão e a transmissão vertical se dá via transplacentária ou congênita.

         O diagnóstico de neosporose em cães é difícil, pois raramente se detectam os oocistos nas fezes, e nem sempre é possível verificar a presença do parasito no liquor, através de punção medular. Poucos laboratórios veterinários de análises clínicas oferecem o exame para detecção do PCR. O diagnóstico sintomático é presuntivo, os filhotes podem desenvolver paresia dos membros posteriores progressiva associada com polirradiculoneurite, miosite, e a atrofia muscular. Cães adultos podem ter encefalomielite, nódulos cutâneos focais ou úlceras, pneumonia, peritonite, hepatite e miocardite. O tratamento é semelhante ao da toxoplasmose.

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Portanto, em fazendas, TODOS os animais devem ter atenção e cuidados, para não existir esta e outras cadeias de contaminação. A prevenção  se dá com a vacinação das principais doenças, remissão de endo e ectoparasitas, e não permitir que os cães e gatos da propriedade comam restos placentários de animais neonatos, ou vísceras, carne crua e derivados de leite cru. Hoje em dia cresce a demanda por cuidados sanitários, tanto no meio rural quanto nas cidades. Sobretudo a água, o maior veículo de propagação de doenças infectocontagiosas, deve ser valorizada, protegida e mantida hígida.

É necessário que o ser humano, o responsável pela Saúde de todos, quer seja através das políticas públicas, e sobretudo por ações pessoais, esteja bem informado e principalmente atento e engajado no controle sanitário ao seu redor.Isto requer esforço, acesso à informação, e atitude. Isto também significa maior Bem Estar e Saúde para todos. O Planeta agradece!

Por Leonora Mello

 

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4 thoughts on “Atenção para a infecção pelo Neospora caninum

  1. Estou com uma filhote de cão que resgatei em Dezembro,em uma estrada na zona rural de Marília, que está com suspeita de neosposose. Levei-a Ao Hospital veterinário e está sendo medicada. Estamos esperando o resultado da sorologia.

    • Josy
      Espero que seu cãozinho tenha se recuperado completamente. O aumento da incidência da Neosporose tem sido para mim uma incógnita. O seu cãozinho sendo da região rural, é mais coerente, pode ter tido contato com contaminantes de contato com bovinos, por exemplo, ou mesmo pequeno, ingerido material contaminado, carne crua, por exemplo. Me causa estranheza animais de apartamento e de cidade com resultado positivo para Neospora caninum. Temos de pesquisar mais as novas formas de transmissão…

  2. Você nada fala de possível tratamento da neosporose. Meu cão foi diagnosticado através de exame de sangue pedido pelo veterinário e o tratamento com antibióticos deixou ele muito mal, apesar de termos passado para injeção (Borgal) e cuidando do estômago e fígado. Passou a vomitar e a não comer. Interrompemos o tratamento com 15 dias. Está aparentemente bem e se locomovendo direito, embora às vezes apresente dificuldade de se levantar. É um cão com 40 k, mix de boxer com pastor fêmea. Estamos no Brejal a 25 km de Itaipava. Que fazer agora?

    • Boa tarde
      Não podemos prescrever um tratamento individualizado através de mídia eletrônica.Um opção terapêutica do tratamento da Neosporose, é com a Clindamicina, porém, doses e duração do mesmo, exames e tratamento de suporte deve ser acompanhado com o médico veterinário que assiste o animal. Espero que ele se recupere 100%! Atensiosamente

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