Novo livro: Revisitando quintais- resgatando os remédios da vovó

Este é um pequeno livro com o estudo sobre o uso popular de ervas medicinais para animais de companhia. Foram estudadas plantas que apresentam muito pouca ou nenhuma possibilidade de efeitos tóxicos, em suas principais ações internas e/ou externas. As doses utilizadas são baseadas nas doses humanas, com as devidas proporções em relação ao peso e tamanho dos animais, e  de estudos realizados a partir de outros autores. Acredito que é necessário um resgate no estudo e utilização de plantas medicinais em medicina veterinária, pela abundância de nossa flora medicinal, pela necessidade econômica de medicamentos mais acessíveis, e para trazer de volta saberes esquecidos da cultura da medicina popular, tão utilizada pelos nossos antepassados, tão rica nos povos indígenas e frequentemente utilizado por nossos antepassados.

Não há de modo algum a intenção de se abolir a terapia alopática convencional, nem muito menos esquecer os modernos métodos terapêuticos e diagnósticos, mas sabe-se que muitos casos de menor gravidade, poderão ser resolvidos de maneira simples e natural.

Você pode ler este livro digital sem aplicativos, no próprio site. Também poderá fazer download do arquivo (formato .ePub) para ler no app ou aparelho de sua preferência.

https://simplissimo.com.br/onsales/revisitando-quintais/

encurtador.com.br/eBCST

Observações sobre a doença transmitida aos gatos pela lagartixa

O Platynosomum fastosum (também conhecido como Platynosomum concinnum) é um verme, um  trematódeo hepático específico de felinos que se aloja nos ductos biliares hepáticos e na vesícula biliar. É comumente encontrado em regiões tropicais e subtropicais do mundo, como sul dos EUA e América do Sul. As tênias Platynosomum utilizam moluscos ou isópodes terrestres como hospedeiros intermediários, lagartos e lagartixas como hospedeiros paratênicos (ou de transporte:é o hospedeiro intermediário no qual o parasito não sofre desenvolvimento ou reprodução, mas permanece viável até atingir novo hospedeiro definitivo), e os gatos são os hospedeiros definitivos. Uma vez que um gato ingere um hospedeiro com metacercárias, as formas infectantes da tênia, migram para o seu ducto biliar comum e para a vesícula biliar, onde se desenvolvem em tênias adultas em 8 a 12 semanas.

Os ovos embrionados são eliminados na bile para o sistema digestivo e podem ser detectados nas fezes em até 8 semanas após a infecção. Gatos infectados podem ser assintomáticos ou podem adoecer, apresentando diarreia, vômitos, anorexia, icterícia e até óbito.

Achados ultrassonográficos em gatos infectados por espécies de Platynosomum descrevem hepatomegalia, ductos biliares tortuosos, paredes ecogênicas da vesícula biliar e distensão acentuada da vesícula biliar.

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Malassezia: se tornando uma vilã

  • A Malassezia pachydermatis é uma levedura que se aloja na pele dos cães, e eventualmente gatos, principalmente naqueles com problemas alérgicos de pele.
  • Em cães e gatos saudáveis, essa levedura é encontrada em pequenas quantidades, mas pode se multiplicar em casos de alergias cutâneas.

Malassezia furfur;

  • Esta é outra variedade de Malassezia que é comum na pele humana e pode causar infecções em pessoas com sistema imunológico comprometido.
  • É uma das principais causadoras de infecções fúngicas em humanos, principalmente em bebês prematuros.

Transmissão para Humanos:

  • A transferência da Malassezia pachydermatis de animais domésticos para pessoas, especialmente para profissionais da saúde que têm cães, já foi documentada, embora rara, acometendo aqueles com imunidade baixa.

Sintomas:

  • Os sintomas de infecção por Malassezia nos animais incluem coceira, vermelhidão e descamação da pele. Nos ouvidos, provoca uma otite pruriginosa, com produção de cerúmen escuro, com aspecto característico de borra de café e com mau cheiro.
  • O crescimento excessivo da levedura pode ser causado por fatores como alergias, infecções parasitárias, diabetes, uso prolongado de medicamentos e deficiência de zinco. Nesses casos, pode proliferar e se tornar patogênica, causando problemas de pele em várias partes do corpo dos cães, como ouvidos, reto e virilha.
  • Embora em geral os gatos sejam acometidos apenas nos ouvidos, alguns manifestam sintomas sistêmicos, isto devido à disbiose cutânea, que pode ser secundária a neoplasias, estados alérgicos crônicos, endocrinopatias.

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Considerações sobre o hipoadrenocorticismo em cão

            São frequentes os estudos e pesquisas sobre hiperadrenocorticismo no cão. Mas assim como a hiperfunção, também podem ocorrer casos de insuficiência da glândula adrenal, e como os sintomas se confundem com outras doenças, seu diagnóstico pode ser um desafio.

  • Como já foi verificado, as três camadas do córtex adrenal são:
    Zona glomerulosa: responsável pela produção do hormônio aldosterona, que regula o equilíbrio de sódio e potássio no organismo;
  • Zona fasciculada: responsável pela produção do hormônio cortisol, que desempenha diversas funções no metabolismo, resposta ao estresse e regulação do sistema imunológico;
  • Zona reticulada: responsável pela produção de andrógenos adrenais, que são hormônios sexuais secundários.

Algumas parecem apresentar uma predisposição genética para o desenvolvimento do hipoadrenocorticismo. Podemos citar:  Poodle, Cão d’água português, Collie barbado, West Highland White Terrier, Cão dos Pirineus, Irish Terrier e Retrivier da Nova Escócia (Troller).

Quais seriam as possíveis causas?

  • Adrenalite imunomediada: uma condição em que o sistema imunológico ataca e danifica as glândulas adrenais, levando à deficiência de produção hormonal.
  • Adrenopatia bilateral: Condições como hemorragia, neoplasias, amiloidose ou outras doenças que afetam diretamente as glândulas adrenais, resultando em sua destruição.
  • Idiopática: Em muitos casos, a causa subjacente do hipoadrenocorticismo não é identificada, sendo classificada como idiopática.


Outras causas secundárias:

O hipoadrenocorticismo também pode ocorrer como resultado de outras condições que levam à destruição das glândulas adrenais, como hemorragias, infecções ou neoplasias.
Essas causas podem resultar na deficiência de hormônios adrenais, levando aos sintomas e complicações associados ao hipoadrenocorticismo em cães.

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A produção agropecuária orgânica e o desafio sanitário

Hoje em dia a atenção está cada vez mais voltada para as questões de alimentos saudáveis e naturais, buscando-se obter os alimentos da chamada produção orgânica.

            No entanto, como durante muitos anos dei aula de Epidemiologia Veterinária, tenho acompanhado alguns eventos que me deixam preocupada. Nesta semana me chegou uma foto de uma peça descongelada de carne suína com estranhas manchas brancas. Não se sabe do controle de qualidade, nem do selo de inspeção da mesma, e logo lembrei da cisticercose e da ideia de descarte imediato da carne. Poucos dias depois, assisti um vídeo onde havia a presença de um verme dentro de um ovo cozido….. Hoje em dia vende-se ovos em toda parte, dos mais baratos aos “produzidos por galinhas livres”, mais valorizados. Mas onde está o selo de certificação de produção orgânica? Será que há controle de Salmonella, Escherichia coli, toxoplasmose, verminoses? Algo semelhante ocorre com derivados lácteos, com delivery, ou na kombi da esquina, direto da fazenda…… O aspecto, o sabor são ótimos, a produção é orgânica, segundo dizem, mas como saber? E o controle de brucelose, febre aftosa, tuberculose, entre outras?  Este controle ocorre rigorosamente nas grandes empresas industrializadas, e elas só podem funcionar após a chancela da inspeção sanitária de alimentos.  E os vegetais, são irrigados com água potável, livres de resíduos de esgoto? E o adubo, que pode ser fertilizante vegetal ou animal, no caso de ser de origem animal, passou por uma compostagem adequada para se tornar estéril? Você alguma vez parou para pensar na enorme responsabilidade de se produzir alimento de qualidade e seguro, de todas as etapas e importância de sua produção?

            Não estou defendendo os produtos industrializados, mas afirmo que nos lugares inspecionados eles terão segurança sanitária. Os alimentos orgânicos são bem mais caros, devido a uma série de regras a serem cumpridas e protocolos muitos rígidos para as boas práticas de produção de um alimento saudável e inócuo. Só que a venda legal de produtos orgânicos depende da certificação e esse processo vai depender e muito do conhecimento e da consciência do produtor orgânico. E eu espero sinceramente que esta consciência se expanda cada vez mais, para o bem da Saúde Única, dos animais, dos seres humanos e do meio ambiente.  E gostaria de deixar mais alguns detalhes sobre esta produção.

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O que é mucocele da vesícula biliar em cães?

A vesícula biliar é um pequeno órgão localizado perto do fígado que desempenha um papel no armazenamento e concentração da bile, que é produzida pelo fígado e liberada no intestino delgado para auxiliar na digestão.

A bile é uma secreção produzida pelo fígado e armazenada na vesícula biliar. É composta por diversas substâncias, sendo as principais: água, sais biliares, colesterol e bilirrubina. Possui importantes funções, sendo essencial para a digestão e absorção de gorduras e algumas vitaminas.

A mucocele da vesícula biliar canina ocorre quando há um acúmulo anormal de muco na vesícula biliar, levando à distensão e possível ruptura da vesícula biliar. . Quando uma mucocele se forma, ela pode obstruir o fluxo normal da bile e causar inflamação, dor e possíveis complicações.

A causa exata da mucocele da vesícula biliar canina nem sempre é clara, mas acredita-se que envolva vários fatores, incluindo:

Dismotilidade: Problemas com as contrações normais da vesícula biliar podem contribuir para o acúmulo de muco.

  1. Predisposição da raça: certas raças, como: Pastor de Shetland, Miniature Schnauzers, Cocker Spaniels, Spitz alemão, Chihuahua, parecem ser mais suscetíveis à mucocele da vesícula biliar.
  2. Hiperadrenocorticismo;
  3. Hipotireoidismo;
  4. Hiperlipidemia;
  5. Colelitíase, colecisitite;
  6. Fatores genéticos (gene ABCB4 – regula secreção biliar de fosfolipides e colesterol, motilidade da VB, sintese de ácidos biliares).

          A doença se manifesta inicialmente com alguns sintomas prévios gastrointestinais intermitentes durante meses: inapetência, vômito, dor abdominal discreta. Se não forem tratados estes sintomas se agravam podendo incluir:

  • Perda de apetite
  • Vômito
  • Dor e desconforto abdominal
  • Icterícia
  • Letargia e fraqueza
  • Febre
  • Desidratação

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MOXATERAPIA EM MEDICINA VETERINÁRIA

 É uma terapia complementar à acupuntura, que faz parte da Medicina Tradicional Chinesa.  Em textos muito antigos, feitos em rolos de seda em um período anterior à Dinastia Qin (221 a.C a 206 a.C), há referência à utilização de bastões incandescentes de Artemisia vulgaris como tratamento de estímulo térmico. No O Tratado de medicina Interna do Imperador Amarelo”, (aproximadamente 400 a.C) a origem da Moxabustão foi com os povos do Norte da China, que sofriam com o frio, e deviam tratar as doenças associadas com o calor da moxa. No “Ling Shu, o Eixo Espiritual”, livro que faz parte do “O Tratado de Medicina Interna do Imperador Amarelo”, se assegura que a moxabustão é a solução nos casos em que as agulhas não funcionam.

A matéria prima mais utilizada para fazer o moxa é a folha da Artemisia vulgaris, que possui propriedade antiinflamatória, cicatrizante, dispersa o frio e a umidade, regula a circulação e a energia. Existem várias técnicas para a utilização da moxabustão, desde a aplicação de cones acesos colocados diretamente sobre os pontos ou áreas selecionadas, até bastões de moxa que são posicionados sobre a região a ser tratada, sem tocá-la.

                De acordo com o livro “Xie’s Veterinary Acupuncture”, o calor e a essência de ervas aquecem o Qi e o sangue nos canais e colaterais e, assim, aumentam o fluxo durante os períodos de estase. A moxabustão também revigora o Yang Qi e dissipa o frio interno e a umidade, bem como elimina alguns formas de toxina de calor local. Ela pode ser direta ou indireta. A direta se aplica diretamente na pele, e não ‘é usada nos animais devido aos seus pelos ou penas.

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Como racionalizar o uso de antibióticos em Medicina Veterinária

Embora o desenvolvimento de antibióticos cada vez mais eficazes salvem muitas vidas e tenham melhorado muito a condição sanitária das populações, tanto humanas como de animais, o seu uso incorreto ou abusivo também tem trazido muitos efeitos deletérios.

            O uso indevido de antibióticos na Medicina Veterinária é uma preocupação séria, pois pode levar ao desenvolvimento de resistência bacteriana, tanto em animais como em humano. A resistência bacteriana ocorre quando as bactérias sofrem mutações ou adquirem genes de resistência, tornando-se insensíveis aos efeitos dos antibióticos.

             A resistência bacteriana é um problema global e o uso inadequado de antibióticos em animais contribui significativamente para seu surgimento e disseminação. Alguns dos principais problemas relacionados ao uso inadequado de antibióticos em Medicina Veterinária incluem:

  1. Uso desnecessário: antibióticos são frequentemente utilizados sem devida prescrição, e sem a avaliação e diagnóstico adequados do médico veterinário, ou repetidos aleatoriamente.
  2. Em alguns casos, os antibióticos são administrados de forma preventiva, sem a presença de infecções confirmadas. Isso aumenta o risco de desenvolvimento de resistência bacteriana.
  3. Subdosagem ou superdosagem: o uso inadequado de antibióticos também pode ocorrer quando a dose administrada não é apropriada para o tratamento da infecção, ou inadequada relação dose/peso do animal. Isso pode levar à ineficácia do tratamento ou à seleção de bactérias resistentes. Por outro lado, administração de doses máxima de antibióticos em animais com insuficiência hepática ou renal também pode ser desastroso.
  4. Uso prologado: antibióticos devem ser prescritos por um período adequado para combater a infecção. O uso prolongado e desnecessário pode selecionar bactérias resistentes.
  5. Uso de antibióticos de importância crítica: Alguns antibióticos são considerados de importância crítica para a saúde humana, ou seja, são essenciais para tratar infecções graves em humano. O uso desses antibióticos em animais deve ser restrito e controlado, a fim de preservar sua eficácia no tratamento de doenças humanas.

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Fotobiomodulação com laserterapia em animais

A fotobiomodulação com laserterapia é uma técnica terapêutica que utiliza a luz laser de baixa intensidade para promover efeitos bioestimulantes e analgésicos nos tecidos do corpo. Essa abordagem também pode ser aplicada em animais para auxiliar no tratamento de diversas condições e doenças.

            A laserterapia veterinária tem sido utilizada em uma variedade de espécies animais, incluindo cães, gatos, cavalos e animais de produção. Alguns dos benefícios potenciais da fotobiomodulação com laserterapia em animai incluem:

  1. Alívio da dor: a laserterapia pode ajudar a reduzir a dor associada a condições musculoesqueléticas, como artrite, lesões articulares, distúrbios da coluna vertebral, entre outros.
  2. Cicatrização de feridas. O laser de baixa intensidade pode estimular o processo de cicatrização de feridas, promovendo a regeneração celular e a formação de tecido saudável. Importante ressaltar que vem sendo utilizado no tratamento de esporotricose, como coadjuvante da terapêutica antifúngica convencional, com bons resultados.
  3. Redução da inflamação: a terapia a laser tem propriedades anti-inflamatórias , podendo ajudar a diminuir a inflamação em tecidos afetados por lesões ou doenças.
  4. Estimulação da circulação sanguínea: a luz laser pode aumentar o fluxo sanguíneo local, melhorando a oxigenação e o fornecimento de nutrientes aos tecidos lesionados.
  5. Recuperação de lesões musculares: a fotobiomodulação pode acelerar a recuperação de lesões musculares, reduzindo a inflamação, aliviando a dor e promovendo a regeneração dos tecidos.

        É importante ressaltar que a laserterapia veterinária deve ser realizada por profissionais qualificados como médicos veterinários especializados em Terapias Integrativas. Cada caso é único, e o protocolo de tratamento deve ser adequado às necessidades individuais do animal, levando em consideração a condição específica , a área a ser tratada e outros fatores relevantes.

      Além disso, é fundamental que o tratamento seja realizado com equipamentos de laser adequados e seguindo as diretrizes de segurança para garantir a eficácia e minimizar qualquer risco para o animal e o profissional responsável pela terapia.

By Leonora Mello

Considerações sobre leishmaniose visceral canina

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Um problema de Saúde Pública:

            Durante um certo tempo, era necessário proceder a eutanásia dos cães contaminados com a leishmaniose visceral canina. A medida foi tomada pois trata-se de uma zoonose, e o cão é o principal hospedeiro. 

            Com o tempo foram desenvolvidos vacinas e estudos sobre protocolos terapêuticos, e hoje é possível manter uma sobrevida digna nos cães infectados, desde que os tutores se responsabilizem por mantê-los sob observação constante, medicamentos de uso contínuo, e exames esporádicos de acompanhamento. E sobretudo, sustentarem suas condições físicas e de bem-estar. Não é uma tarefa fácil. E sobretudo, nas áreas endêmicas, prevenir constantes reinfecções, que é o maior risco, pois em geral, quando o paciente tem melhoria dos seus sintomas físicos, o tratamento é negligenciado, e acaba havendo ou uma volta dos sintomas agravados, ou uma reinfecção.

O que é Leishmaniose visceral canina:

            A leishmaniose é uma doença infecciosa grave, causada pelo protozoário Leishmania infantum, também conhecido como Leishmania chagasi. É transmitido aos seres humanos e animais através da picada de mosquitos infectados, principalmente do gênero Lutzomya, nas Américas. Aventa-se a hipótese que existem outros vetores secundários, como carrapatos, mas está hipótese ainda está sendo investigada.

            Os cães são os principais reservatórios da leishmaniose visceral, e a doença pode ser transmitida aos seres humanos através da picada de mosquito infectado que tenha se alimentado de sangue de um cão portador do protozoário. A doença não é transmitida diretamente do cão doente para o ser humano. Sempre será necessária a presença do vetor, no caso, o mosquito.

            Os sintomas variam bastante, os cães apresentam perda de peso, falta de apetite, fraqueza, feridas da pele que não cicatrizam, crescimento excessivo das unhas, aumento dos gânglios linfáticos, e dores articulares intensas, entre outros. O que é mais preocupante, é que às vezes o cão infectado demora muito para apresentar estes sintomas, ou os mesmos não são detectados, a não ser quando o animal já está muito fraco. Os sintomas se confundem com os de outras doenças infecciosas, e pode haver mais de uma enfermidade presente, complicando o quadro.

O espectro clínico da LVC progressiva inclui linfoadenopatia (que é um sinal muito importante), epistaxe, anemia não regenerativa, diarreia, hepatoesplenomegalia, problemas de locomoção, conjuntivite, lesões oculares e lesões dermatológicas. Os sintomas como a caquexia, a atrofia muscular (mais notória na cabeça), e a perda de peso são devidos em grande parte à proteinúria, decorrente da disfunção gluomerular, como na glomerulonefrite membranoproliferativa, por deposição de imunecomplexos, ao nível da membrana basal do endotélio glomerular, que perde assim a capacidade de filtração. A doença evolui gerando síndrome nefrótica ou insuficiência renal crônica.
A hipoalbuminemia pode estar presente como resultado da perda de proteína, seja por doença hepática, seja por má nutrição ou alteração de mecanismos de equilíbrio osmótico.
As lesões oculares incluem blefarite associada à alopecia, seborreia, e dermatite facial; ceratoconjuntivite seca devido à ação destrutiva dos parasitas no aparelho lacrimal; conjuntivite granulomatosa refratária ao tratamento; ceratite; uveíte anterior mediada por imunecomplexos e associada a edema da córnea e glaucoma de ângulo fechado; esclerite, e hemorragia retiniana. Foi também observada iridociclite em cães em tratamento, considerando tratar-se de uma manifestação alérgica.
As lesões dermatológicas aparecem em 80% a 90% dos cães com LVC. Dentre as lesões cutâneas, encontra-se dermatite esfoliativa seca e generalizada, com escamas branco-prateadas como asbesto; alopecia principalmente na zona periocular, pregas de pele e articulações; anomalias de cornificação; seborreia seca; hiperqueratose; paroníquia; onicogrifose (unha semelhante à garra ); dermatose (seborreia) do bordo da margem do pavilhão auricular, com hiperqueratose, associada à vasculite, que evoluem para úlceras e crostas (também verificadas nas zonas de proeminência óssea dos membros, devido à pressão de decúbito); ainda, encontram-se úlceras no focinho e ao nível da transição muco-cutânea dos lábios, e da mucosa nasal, que com frequência é denunciada pela epistaxe, geralmente unilateral.

     Os exames de rotina são o ELISA e o RIFI com diluição plena. Se estes forem duvidosos, outros exames são necessários, como citologia de material medular, aspirado de gânglios linfáticos, PCR do sangue.  Algumas vezes, estando o cão muito imunossuprimido, é difícil confirmar o diagnóstico.

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