A Esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do complexo Sporothrix, especialmente Sporothrix braziliensis ( mais virulento). Trata-se de uma zoonose de grande relevância com transmissão através de mordidas, arranhões e secreções de gatos. O microorganismo se aloja na terra, em espinhos de plantas e tronco de árvores velhas, e é assim que os gatos de vida livre se infectam, e depois se tornam reservatórios da doença. Humano e cães também podem se infectar.
Gatinho com esporotricose, antes e após 3 semanas de tratamento
Tem ocorrido uma expansão importante desde a década de 1990, com surtos persistentes, e trata-se de uma doença subdiagnosticada e muitas vezes negligenciada. Nos gatos, por serem muito suscetíveis, há uma lata carga fúngica nas lesões, ocorrendo maior transsmissibilidade que em outras espécies. Mais comum em machos não castrados, naqueles que têm acesso à rua, e os que tem um comportamento territorial e mais agressivo.
🩺 Formas clínicas:
1. Cutânea localizada – nódulos ulcerados em face, patas, cauda.
2. Cutâneo-linfática – progressão ao longo dos vasos linfáticos.
3. Disseminada – grave ( pulmões, fígado, SNC).
Diagnóstico
- Citologia (rápido e muito útil em gatos)
- Cultura fúngica (padrão ouro)
- PCR (quando disponível)
💊 TRATAMENTO CONVENCIONAL
Primeira linha
- Itraconazol (oral) → padrão ouro atual
Alternativas / associações
- Iodeto de potássio
- Terbinafina
- Anfotericina B lipossomal (casos graves/refratários)
Tendências recentes
- Preocupação com resistência ao itraconazol
- Pesquisa com:
- antifúngicos naturais (óleos essenciais, extratos vegetais). Pesquisas in vitro avaliam a eficácia do própolis marrom brasileiro e extrato de chá verde (Camellia sinensis) contra o S. brasiliensis.
- novas moléculas (ex: voriconazol e posaconazol)
- Nikkomicina Z (NikZ): Demonstrou potencial alto no tratamento de S. brasiliensis refratário (resistente ao itraconazol), inclusive com possibilidade de administração na água de beber dos gatos.
Medidas não farmacológicas, como criocirurgia e termoterapia, também têm sido utilizadas com bons resultados. A terapia fotodinâmica também tem sido tentada e está em estudos.
O tratamento curativo, desde que iniciado o mais precocemente possível. Porém, pode ocorrer que os gatos sejam portadores também de viroses imunossupressoras como Fiv ( Vírus da imunodeficiência felina), Felv (Vírus da leucemia Infecciosa felina) ou Pif (Peritonite Infecciosa Felina), dificultando a cura.
Casos avançados são mais difíceis de curar
Na visão vitalista, enfermidades graves como a esporotricose, podem ser auxiliadas quando se associam medicamentos homeopáticos adequados e individualizados, e outros chamados nosódios, substâncias obtidas a partir do agente etiológico, e manipuladas dentro das normas da Farmacologia Homeopática.
Embora as melhores medidas sejam as preventivas, como castração dos felinos domésticos para diminuir o risco de brigas e o contato com possíveis agentes contaminantes, a higiene das casas e seus quintais, a atenção para qualquer alteração visível na pele, a associação dos medicamentos alopáticos e a Homeopatia, traz a possibilidade de uma cura mais rápida e sem riscos de recidivas.

Animal com esporotricose, antes e depois do tratamento, já curado (gatinho Boris)
Literatura aconselhada;
Cruz & Alves.Atualidades e terapêutica comparada entre tratamento de esporotricose canina e felina. Scientific Electronic Archives Issue ID:Sci. Elec. Arch. Vol. 18 (3)May/June 2025. DOI:http://dx.doi.org/10.36560/18220252084Article link: https://sea.ufr.edu.br/SEA/article/view/2084
SMÉRA & SMÉRA. Protocolos Terapêuticos para o Tratamento da Esporotricose Felina Refratária e Inovações decorrentes das Pesquisas. . Ciências Agrárias, Volume 28 – Edição 139/OUT 2024 / 27/10/2024. DOI: 10.69849/revistaft/ni10202410270928


