Nutrigenômica em cães e gatos. O que é isso?

Osteoartrite (OA)

            Esta doença é conhecida como um processo degenerativo que afeta cães e humanos, uma doença crônica e progressiva que se distingue por alterações patológicas nas articulações móveis. A OA está associada à degeneração da cartilagem articular e perda de proteoglicanos e colágeno, produção de osso novo e resposta inflamatória variável. Essas alterações são acompanhadas por sinais clínicos, geralmente manifestados como dor e incapacidade associadas à articulação afetada, causando claudicação em cerca de 20% de cães acima de 1 ano.

            Estudos do uso de ácidos graxos ômega-3 derivados de óleo de peixe e linhaça, especificamente o ácido eicosapentaenóico (EPA), no manejo da OA encontraram benefícios clínicos positivos, incluindo controle da inflamação e redução da expressão e atividade de enzimas degradantes de proteoglicanos da cartilagem. Resumindo, descobriu-se que o EPA desativa um dos genes que causam a degradação da cartilagem e interrompe o ciclo de inflamação, com diminuição da dor e melhoria nos movimentos.

Obesidade

            Nos Estados Unidos, estudos apontam que  em animais de estimação entre 5 a 12 anos de idade, 42% dos cães e 44% dos gatos estão com sobrepeso ou obesos.  Embora existam componentes genéticos, o controle do peso depende muito da conscientização dos seus tutores, uma vez que obesidade aumenta o risco de hipertensão arterial, cardiopatias e alterações respiratórias, diabete mellitus tipo 2, além outros problemas endócrinos. Um programa de perda de peso bem-sucedido é aquele onde se consegue redução da ingestão calórica e aumento da atividade física, mas de modo constante e continuado.

            Os estudos apontaram que os perfis de expressão gênica para cães obesos são claramente diferentes daqueles para cães magros, daí, talvez, inicialmente as dietas, assim como ocorre com os humanos, podem dar a impressão que estão custando a ter resultados, pois é difícil suplentar esta expressão gênica diferenciada para obesidade.

            Entretanto, um manejo dietético e a disciplina na atividade física, apontam os  estudos em cães, que junto à perda de peso encontraram efeitos positivos em biomarcadores – análises bioquímicas – associados a condições relacionadas à obesidade. A perda de peso em cães também foi associada a uma redução de triglicerídeos, colesterol e leptina. Medindo biomarcadores tradicionais e usando a genômica, podemos obter uma melhor compreensão dos mecanismos envolvidos que podem nos permitir ajudar na prevenção e / ou tratamento precoce da obesidade e de doenças relacionadas à obesidade.

            Um estudo recente analisou os efeitos da perda de peso nos perfis de expressão gênica de cães obesos. Esses cães foram alimentados com ração terapêutica seca, com baixo teor de gordura e enriquecida com fibras por 4 meses. Em média, os cães perderam 41,2% de sua massa gorda inicial naquele tempo. O efeito nutrigenômico da comida foi visto na mudança de um perfil de expressão gênica obeso para um magro. Os genes identificados mostraram uma regulação negativa ou um “desligamento” de genes associados ao acúmulo de gordura depois que os cães perderam peso. O estudo mostrou que o metabolismo mudou em cães obesos alimentados com ração para perda de peso para um perfil genômico magro.

            Vamos continuar comentando sobre Nutrigenômica. Aguardem!

Literatura consultada

BURNS,K.M. Clinical Nutrition — The Buzz on Nutrigenomics. Veterinarian Technician. 8/3/2019. Disponível em:

NIH. The NHGRI Dog Genome Project. Disponível em: https://research.nhgri.nih.gov/dog_genome/

By Leonora Mello

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