DIARRÉIA NÃO É SÓ VERMINOSE (PARTE I)

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A diarréia em cães e gatos é um evento relativamente frequente, e  multifatorial. Na maioria das vezes é auto-limitante, e logo se resolve, como no casos de ingerir alimentação humana temperada, com corantes, açucar refinado, temperos,  farináceos fermentados. Ou alimentos que eles buscam nas latas de lixo e estão deteriorados, gerando intoxicações de diferentes graus de periculosidade.

Ainda há aqueles episódios diarréicos  por troca brusca de rações, que embora todos saibam que não é conveniente, sempre ocorrem ocasiões em que se há oportunidade de fazer a adaptação gradativa da ração antiga e a nova.

De maneira geral, quando as fezes dos caninos e felinos domésticos  ficam amolecidas, logo se conecta o pensamento com a possibilidade deles estarem com verminoses, e correm a dar os medicamentos. É preciso notar que hoje em dia, tal como ocorre com as bactérias, há uma  certa resistência dos vermes a alguns vermífugos  em uso.

Existem as diarréias virais, perigosíssimas, e mesmo letais  como a cinomose, parvovirose, coronavirose, nos cães, a calicivirose, Panleucopenia, Fiv e Felv nos gatos. Doenças sistêmicas como Toxoplasmose e Neosporose também são causadores, entre outros sintomas, de diarréia.

Mas  além dos vermes, outros parasitas podem ser os grandes causadores de diarréias, que são da classe dos protozoários. A Giardia sp, o Isospora SP, Cystoisospora SP, são bem conhecidos e têm seus respectivos protocolos terapêuticos. A vacina contra giárdia minimiza , mas não é 100% efetiva naqueles casos onde os animais são muitos suscetíveis ( cães) ou se a carga parasitária ambiental é muito alta.

Há porém, um protozoário, que afeta também seres humanos, portanto com potencial zoonótico , que vem dando dor de cabeça aos proprietários de cães e gatos, porque seu tratamento demanda substâncias bioativas diferentes das utilizadas nos outros casos.

Trata-se do Criptosporiodium SP, que é  responsável pela criptosporidiose, doença comumente associada a enterites que são caracterizadas por diarreia aguda, aquosa ou esteatorréica e cólica. Embora que, infecções assintomáticas também sejam relatadas. Em pessoas e animais imunocompetentes a diarreia é autolimitante com duração de dias ou até duas semanas. Mas quando pessoas, ou os cães e gatos acometidos são imunocomprometidos, a doença é mais grave, levando à uma desidratação intensa, síndrome mal absortiva e até mesmo a morte.

A caracterização genética de Cryptosporidium sp., a partir de oocistos recuperados de amostras fecais de gatos, cães e pessoas tem revelado que estes hospedeiros são infectados com genótipos espécie-específica. Os gatos são  geralmente infectados com C. felis, os cães com C. canis e o homem com C. hominis e C. parvum. Cryptosporidium muris também tem sido ocasionalmente relatado em cães e gatos. Porém, a genotipagem tem mostrado que, a maioria das infecções em humanos é causada por cinco espécies: C. hominis, C. parvum, C. meleagridis, C. felis, e C. canis.

No combate ao Criptosporidium, é necessário um medicamento específico, a nitazoxanida,  não adiantando muito a administração de outros que são utilizados para Giardia ou Isospora. A Nitazoxanida é uma droga, atualmente, aprovada para uso em humanos, mostrando-se eficaz no tratamento de várias parasitoses, inclusive a criptosporidiose. Porém, em cães e gatos, é necessário administrar em doses apropriadas para estes animais, para que seja efetivo.

Literatura consultada:

http://acervodigital.ufpr.br/bitstream/handle/1884/25027/Dissertacao%20Cryptosporidium%20%5BMartha%20Greca%5D.pdf?sequence=1

http://www.essentiaeditora.iff.edu.br/index.php/confict/article/view/1107

 

By Leonora Veras

 

 

 

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