Castração precoce: 3 meses é muito pouco

Há muito tempo nos Estados Unidos é preconizada a castração precoce de cães e gatos domésticos. A principal alegação é que fêmeas de cães e gatos domésticos castradas  antes da puberdade têm menos de 0,5% de probabilidade de desenvolver câncer de mama, que é a neoplasia mais comum e mortal nestes animais.

Hoje em dia, também no Brasil este conceito se fortaleceu e vem se tornando prática comum nos abrigos castrarem os filhotes abandonados cada vez mais precocemente. Até porque, alega-se que os adotantes não precisam se preocupar com as despesas de castração.

É uma verdade incontestável que animais adotados devem ser castrados, evitando ninhadas indesejáveis e controlando a população canina e felina urbana, além de evitar inúmeras doenças infecciosas, hormonais e neoplasias, além de que animais castrados em geral ficam mais dóceis e com menos instintos agressivos.

Porém tudo deve ser visto com cuidado. Ao escolher um protocolo radical como castrar filhotes machos e fêmeas de 3 meses, é preciso um mínimo de bom senso para verificar o estado físico e nutricional destes, antes que a radicalização transforme pessoas em máquinas robotizadas, que não compreendem que cada ser vivo é único, se comporta de uma maneira diferentes, e critérios de peso, tamanho, comportamento e sensibilidade são necessários e vitais . E que é inconcebível fazer uma escala industrial de castrações, considerando apenas que há superpopulação nos abrigos, e já contando com a Lei de Darwin, isto é, só os mais fortes e adaptados sobrevivem. Esta mentalidade é cruel, inexata e distante anos-luz dos atuais conceitos de Bem Estar Animal.

Uma das questões mais preocupantes a respeito da cirurgia precoce de filhotes, é em relação ao procedimento anestésico. Normalmente se usa associação de cetamina e xilazina, com bom controle da dor e relaxamento muscular ótimos para um trans-operatório tranquilo. No entanto, a combinação de cetamina e xilazina só poderá ser empregada em animais com idade superior a 12 semanas, pois, o estimulo cardiovascular  benéfico ocasionado pela cetamina não reverte completamente os efeitos depressivos da xilazina, tornando a anestesia um risco.

A associação tiletamina/zolazepam tem sido recomendada como o pré-anestésico/anestésico de escolha nas castrações de gatinhos, possibilitando excelente analgesia e reduzindo período de recuperação.ocorre que é um produto bastante caro, e nem sempre será possível obtê-lo quando se trata de castrações em abrigos. O isoflurano e halotano também são anestésicos voláteis muito eficazes, porém dispendiosos e que acarretam entubação endotraqueal, o que se torna difícil em muitos locais com poucas condições  estruturais e econômicas. Resta então a dúvida: Estarão estes filhotes sendo bem anestesiados? Até que ponto, para evitar o perigo das drogas bioativas que sobrecarregam o organismo jovem, usam-se subdoses, expondo estes animais ao estresse doloroso? Ou, de outra forma, são utilizados protocolos perigosos para a tenra idade, e o fazem arriscando ocorrerem efeitos deletérios?

A castração sempre traz vantagens, além do controle populacional, como evitar piometrites, doenças causadas por alterações do estrogênio e testosterona, evita neoplasias mamárias, o animal se torna em geral mais calmo.

Entre as consequências que podem ocorrer após a castração precoce estão: incontinência urinária, obesidade., alterações no crescimento, dermatite peri-vilvar, obstrução urinária em gatos, maior incidência e heperadrenocorticismo.

A conclusão mais plausível, é que o ideal é castrar os animais em situação de abandono, entre quatro e cinco meses, quando estarão imunologicamente mais resistentes, e se houver oportunidade, em caso de um ou dois gatinhos, castrar com   seis meses, ou após o primeiro cio nas fêmeas. Se não for possível, a castração de filhotes com três meses deve ser bastante criteriosa e os mesmos devem estar plenamente hígidos.

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