Atenção aos animais não-domiciliados

adocao

No passado, o destino da maioria dos cães e gatos apreendidos pelo Centro de Controle de Zoonoses do Rio de Janeiro era a eutanásia. Hoje isto é proibido por lei do vereador Cláudio Cavalcanti, que hoje é o titular da  Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais (Sepda).

A sede da Sepda fica na fazenda Modelo, em Guaratiba,  com treze mil metros quadrados, arborizada, com muitas instalações, porém com pouca conservação.

Como estava ocorrendo muitas denúncias quanto às más condições do local, mau estado de saúde  e falta de higiene, a promotora de Justiça Christiane Monnerat, que atua na área de proteção e defesa dos animais do Rio, visitou a Fazenda Modelo com uma veterinária, ainda acompanhada do promotor Vinícius Lameira, coordenador de Grupo de Apoio Técnico Especializado em Meio Ambiente do Ministério Público. Acompanhada por uma equipe do jornal “O Globo”, Christiane não flagrou cenas semelhantes às denunciadas, mas ficou chocada com as péssimas condições do canil, onde viu animais doentes dividindo espaço com cães sadios, em um local com paredes cobertas de limo e mofo.Na maior parte dos boxes havia fezes e urina, e o mau cheiro era insuportável. Os prédios estão velhos e sem conservação e, apesar de haver muito espaço disponível, os animais são mantidos em ambientes restritos.

Ainda em  29 de maio deste ano, após receber denúncias, o vereador Márcio Garcia foi à Fazenda Modelo. Ele diz que só conseguiu entrar depois de ameaçar chamar a PM:

— Vi um cenário triste: gatos em gaiolas enferrujadas, em uma sala que cheirava muito mal. No canil, fiquei impressionado com o péssimo estado dos cães, sujos, com pelos emaranhados. Se eles querem oferecer os animais para adoção, deveriam cuidar deles. Quem vai querer levar para casa um animal naquele estado?

Ainda há um questionamento a respeito do desaparecimento de animais que são levados para lá, sem que haja explicações a respeito disso.

É importante lembrar que os animais apreendidos e enviados para a Fazenda Modelo, devem , ou pelo menos deveriam, como medida primordial de Saúde Pública, serem protegidos em relação ao contágio de Leishmaniose, já que Guaratiba é uma região de risco. Sendo uma entidade pública, deveria haver bastante cuidado a este respeito.

Outras considerações que podem ser tecidas, diz respeito à preocupação que um centro de atenção a animais desabrigados não pode se transformar em depósito. Já que Cláudio Cavalcanti diz em entrevistas que viaja pelo mundo afora para adequar no Brasil modelos mais avançados de países desenvolvidos, ele deveria dar atenção a dar as condições necessárias para que visitantes da Sepda fossem encorajados  a adotar os animais albergados, e para isso, tanto as instalações quanto os próprios animais teriam que estar em condições adequadas, o que não está ocorrendo.

Abaixo, podem ver as imagens dos animais abrigados na Fazenda Modelo:

http://oglobo.globo.com/rio/imagens-do-principal-abrigo-de-bichos-da-prefeitura-9042721

Outra coisa que aparenta ser boa, porque mostra uma preocupação com os animais não domiciliados é o recente decreto da Prefeitura do Rio de Janeiro:

DECRETO Nº 37.326 DE 28 DE JUNHO DE 2013

DISPÕE SOBRE A ADOÇÃO DE ANIMAIS EM ESPAÇOS PÚBLICOS DA CIDADE.

O PREFEITO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, no uso de suas atribuições legais em vigor e;

CONSIDERANDO que eventos de adoção têm como objetivo reunir deveres comuns ao estado e à coletividade;

CONSIDERANDO que a teor da Constituição Federal (capítulo VI, art. 225, § 1º, alinea VII ), compete ao Estado e à coletividade proteger a fauna e impedir a crueldade contra animais;

CONSIDERANDO ser crueldade o não acolhimento dos animais abandonados na cidade;

CONSIDERANDO a necessidade de absoluta adequação às normas zoosanitárias, DECRETA:

Art. 1º Serão oferecidos para adoção felinos e/ou caninos resgatados dos logradouros públicos, tanto por órgãos da Prefeitura como por munícipes visando, reintegrá-los em lares urbanos qualificados para tal fim.

Art. 2º Os animais que forem oferecidos para adoção deverão estar recuperados, sadios e esterilizados.

Art. 3º Caberá à Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais – SEPDA decidir sobre a habilitação e o cadastramento dos munícipes que se interessem em oferecer animais para adoção, assim como sobre as demais providências necessárias à organização e regulamentação dos eventos para tal finalidade, sem prejuízo do cumprimento das demais exigências previstas na legislação em vigor.

Art. 4º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Rio de Janeiro, 28 de junho de 2013; 449º ano da fundação da Cidade.

EDUARDO PAES

O que neste decreto se transformou em imenso transtorno para as várias feiras de adoção que ocorrem frequentemente nas praças das cidade de Rio de Janeiro e Niterói???? A obrigatoriedade que todos os animais adotados estejam esterelizados. O paradoxo está em que a maioria dos animais são filhotes de pouco mais de 30 dias, já que a falta da responsabilidade de grande parcela da população faz com que sejam despejadas ninhadas inteiras pelas praças, beira de rios, sarjetas, e que são resgatados pelos protetores, que os vacinam alimentam, curam quando necessário, e castram. Mas não há condição de castrar, principalmente as fêmeas, com menos de dois meses, país nenhum no mundo apregoaria isso.

E o mesmo representante da SEPDA, o Sr. Cláudio Cavalcanti que incentiva a prática de esterelização precoce parece que está esquecendo o que a própria Sepda divulga em seu site:

“…Daí a importância da esterilização, preconizada inicialmente em cães e gatos com 1 ano de idade. Este prazo passou para 6 meses no final da década de 70, o que mesmo assim não resolveu o problema. A solução encontrada foi a esterilização antes da doação ou seja em animais com 6 a 8 semanas que pesem pelo menos 900g, praticada desde o ano de 2000 e apoiada pela “American Veterinary Medical Association”. A anestesia, especifica para filhotes, mostra recuperação rápida com menor morbidade.”

http://www.rio.rj.gov.br/web/sepda/exibeconteudo?article-id=152654

Vamos então usar o bom senso? Como um gatinho de 8 semanas terá 900 gramas? E se os protetores esperarem que os gatinhos abandonados (que são dezenas e dezenas semanalmente) atinjam o peso mínimo, ninguém irá adotar um filhote maior. E operar com menos que isso, é um risco alto, cruel e indesejável.

È necessário haver um consenso, não se mistura alhos com bugalhos. Estamos no Brasil, país de uma cultura que não é simpática à eutanásia como os países “desenvolvidos”, que facilmente se livram do excesso de animais sacrificando-os. Lidamos porém com um sem número de doenças tropicais, além de endo e ectoparasitas, que vão piorar se os abrigos superlotarem.

O que é preciso são campanhas de esterelização coerentes, campanhas de adoção regulares, e palestras frequentes em escolas, associações de bairro, mídia escrita e eletrônica sobre Posse Responsável, postos permanentes de vacinação pelo menos contra raiva, e se possível contra as outras doenças, com preços mais acessíveis, com veterinários habilitados.

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