Alterações do baço em cães – PARTE II – presença de nódulos no baço

Ao ultrassom, a aparência da hiperplasia nodular varia de nódulos hipoecóicos a isoecóicos que geralmente são bem marcados e normalmente não apresentam outras anormalidades parenquimatosas. Além disso, as áreas de hiperplasia podem aparecer como uma massa isoecóica  pelo aumento da ecogenicidade. A hematopoiese extramedular pode ser semelhante à hiperplasia nodular, então a citologia é necessária para diferenciar as duas condições.

                   Os mielolipomas são benignos, de formato irregular ou focos hiperecogênicos arredondados de tamanhos variados. Eles pode ser encontrado no hilo esplênico ao longo da saída dos vasos portais esplênicos ou, menos comumente, dentro do parênquima esplênico. Os mielolipomas não podem ser diferenciados de outros focos hiperecogênicos. Essas lesões são mais comuns em cães geriátricos, mas ocasionalmente são vistos também em gatos geriátricos.

                   As áreas focais de mineralização distrófica ( depósitos de cálcio) podem ser identificados como manchas hiperecogênicas e linhas finas ao longo do parênquima esplênico. As lesões são consistentes com alterações vasculares arteriais e mineralização distrófica secundária à endocrinopatias crônicas, como hipotireoidismo, diabetes mellitus e hiperadrenocorticismo.

                   Infarto focal esplênico ocorre secundáriamente à embolia ou trombose na artéria esplênica. Em cães, foi descrito como causas predisponentes a endocardite bacteriana, condições secundárias a doença hepática, doença renal, amiloidose em shar-peis, hiperadrenocorticismo, neoplasia e trombose associada a doenças cardiovasculares. Inicialmente, os infartos esplênicos resultam em hipoecogenicidade com falta de suprimento de sangue, conforme visto em avaliação com Doppler colorido. Então, conforme a área passa por uma revascularização e fibrose (cicatrização) , que causam uma retração da área esplênica onde houve o infarto. Estas lesões podem ter bordas pouco definidas, hipoecóicas, sendo difícil distinguir de outras lesões esplênicas focais.

                   É necessário acompanhamento com exames clínicos, laboratoriais, diagnóstico por imagem para acompanhar cada caso individualmente. A utilização da homeopatia como tratamento complementar pode atenuar os sintomas e ajudar no tratamento convencional, em todas as situações relatadas. Alguns destes nódulos desaparecem, outros não se modificam por anos e infelizmente, os estudos apontam que estatísticamente há maior ocorrência de nódulos malignos que benignos, e há indicação cirúrgica, com esplenectomia total para a existência de nódulos em crescimento, e que utrapassem 2cm, com a indicação prévia de biópsia aspirativa com agulha fina (BAAF), guiada por ultrassonografia, para estudo citopatológico, com atenção ao perfil de coagulação do paciente (contagem de plaquetas, tempo de protrombina e tempo de sangramento).

Material consultado:

Bettini, G.; Mandrioli, L.; Brunetti, B.; Marcato, P.S.. Canine Splenic Pathology: a Retrospective Study of 109 Surgical Samples, with Special Emphasis on Fibrohistiocytic Nodules  European Journal of Veterinary Pathology, Vol. 7, No. 3, december 2001.

HUYNH, E; BERRY, C.R. Small Animal Abdominal Ultrasonography: The Spleen. TVPJOURNAL.COM, March/April 2017

By Leonora Mello

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